26 de julho de 2013

Mais de 200 mulheres enfartam por dia no Brasil



Foto: Thinkstock
O número é alarmante: mais de 200 mulheres enfartam por dia no Brasil e, desse número, 80 morrem. Para você ter uma ideia, hoje as doenças cardíacas matam seis vezes mais do que o câncer de mama. Os dados divulgados em 2012 pelo DataSUS fazem parte do alerta feito na Campanha"Coração Alerta", da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), com a chancela do Ministério da Saúde. A meta da campanha é salvar 100 mil vidas até 2014.

O infarto agudo do miocárdio é a consequência da obstrução de uma artéria coronária por um coágulo de sangue sobre a placa de gordura que estava em sua parede, o que impossibilita que uma quantidade suficiente de sangue chegue até aquela área do músculo cardíaco. Esta porção do músculo cardíaco sofre um processo de morte celular e necrose, o que pode levar à morte súbita ou à insuficiência cardíaca que acarreta limitações físicas até a recuperação do quadro clínico.

O cardiologista Hélio Castello Junior, um dos médicos responsáveis pela campanha, explica que a aterosclerose, que é a doença que forma placa de gordura em vasos e que pode causa entupimento, não tem cura. E, uma vez que a pessoa teve entupimento na artéria do coração, ela pode ter outra no futuro ou ter em qualquer outro local do corpo como na perna causando um problema de circulação, por exemplo.

"Não é para assustar, mas para as pessoas saberem que essa doença não tem cura. Há pacientes que tiverem infarto com 60 anos, hoje têm 80 anos e nunca mais tiverem nada. Há outros que, após um tempo, têm um AVC ou outra doença. É importante que a pessoa mantenha uma visita regular ao cardiologista e leve uma vida saudável. Tenho pacientes que enfartaram e hoje correm maratonas. Se o infartado seguir todas as recomendações médicas associadas a fatores benéficos para a rotina, o resultado em longo prazo é excelente", explica o cardiologista.

Sobre o tratamento, o médico explica que o importante é a pessoa chegar o quanto antes ao hospital mais próximo. "Às vezes, o mais próximo não é necessariamente o mais bem equipado, mas, quanto mais cedo ela chegar, pelo menos já começa a receber algum tipo de assistência médica", explica Hélio.

Risco de infarto em mulheres é mais forte a partir dos 40 anos
O cardiologista Hélio Castello Junior, um dos médicos responsáveis pela campanha 'Coração Alerta', explica que as mulheres costumam sofrer mais risco de terem problemas cardíacos na maturidade, a partir dos 40 anos, mas principalmente após os 50 quando chegam à menopausa. Isso porque após esse tempo diminui a produção do estrogênio, o hormônio aliado do coração que estimula a dilatação dos vasos, o que facilita o fluxo sanguíneo.

'Após a menopausa e com a queda do estrogênio associado a fatores como o envelhecimento, tabagismo, sedentarismo e estresse, elas passaram a ter uma possibilidade de infarto semelhante a do homem', explica o médico.

Fatores como tabagismo e falta de atividade física contribuem
As mulheres estão a cada ano mais expostas ao infarto por causa do tabagismo, alimentação errada e falta de atividade física, fatores que contribuem no entupimento das artérias coronárias. Isso sem contar que elas estão cada vez mais inseridas no mercado de trabalho e, assim, acumulam o estresse do trabalho com o do cuidado com a família, o que compromete muito a qualidade de vida.
'Cerca de 40% delas apresentam aumento da cintura abdominal, mais de 20% fumam, 18% são ex-fumantes, 23% têm seus níveis de pressão arterial acima do recomendado e 21% possuem alteração dos níveis de colesterol', comenta o cardiologista.

Sinal típico é uma dor bem intensa no meio do peito
O infarto do miocárdio tem sintomas visíveis e as pessoas precisam estar atentas quando o corpo 'falar'. O quadro típico é uma dor bem intensa no meio do peito guiada um pouco à esquerda podendo irradiar para as costas, parte superior do tórax, mandíbulas, pescoço e boca do estômago. Essa dor é acompanhada de outros sintomas básicos como sudorese, onde a pessoa transpira muito, mal-estar intenso, falta de fôlego, náuseas, vômitos, palidez.

'Qualquer dor acima do umbigo é sinal de perigo'. Quer dizer, qualquer dor que seja forte pode ser um sinal de infarto ou de angina, que é a dor que precede o infarto. Cerca de 10% das pessoas que têm um infarto não apresentam dor e ainda possuem menor grau de sintomas, fato que é mais comum em pessoas diabéticas e em mulheres', ressalta o cardiologista.

Como é feito o diagnóstico de um infarto?
A pessoa quando inicia um quadro de infarto deve procurar o hospital mais o mais rápido possível. No hospital, o bate-papo com o paciente é essencial para levantar a suspeita de algum sinal clínico do infarto. Quanto maior o tempo perdido, maior o risco. Em poucos minutos deve ser constatado o diagnóstico, confirmado por meio de um exame clínico feito associado ao Eletrocardiograma e à colheita de enzimas, substâncias que aumentam no sangue quando há necrose de algumas células do coração.

'Uma vez que essas células morrem, liberam essas substâncias em alto volume no sangue. Quando essa dosagem de enzimas está alta, somada a dor no peito e ao resultado do eletro, você tem confirmado um diagnóstico de infarto', explica o cardiologista Hélio Castello Junior.

O infarto 'avisa': é preciso estar alerta aos sinais
É importante fazer um check-up mesmo sem apresentar os sintomas ou realizar uma avaliação cardiológica rotineira, dependendo da idade. Muitas vezes o infarto 'avisa'. 'A pessoa tem alguma dor no peito por causa de grandes esforços e, depois que fica quieta, melhora. Ou tem uma falta de ar inexplicável que não tinha antes e que começa a aparecer. Ou seja, ela começa a ter sugestões de mal-estar semelhantes às de infarto só que mais rápidas e geralmente relacionadas ao esforço, a quadros emocionais', explica.

Isso pode ser um sinal de que a artéria está prestes a entupir totalmente e dando sinais de que pode ter um infarto. Dois fatores de risco não há como eliminar: a idade e o fator hereditário. 'Se há muita gente na família que já teve infarto ou um quadro cardíaco grave o risco de essa pessoa desenvolver o infarto é maior e ela precisa fazer o check-up um pouco mais cedo. Os demais fatores são a pessoa parar de fumar, controlar o diabetes, a pressão, fazer atividade física orientada, evitar a obesidade, ter uma alimentação saudável', explica o cardiologista.

Anticoncepcional + cigarro: uma das maiores causas de infarto em mulheres
A associação da pílula anticoncepcional oral com o cigarro representa uma das maiores causas de infarto em mulheres jovens, em idade fértil, aumentando o risco em até cinco vezes. O cigarro aumenta a chance de formar a placa de gordura nos vasos e entupi-los e a pílula muda um pouco o padrão de coagulação de viscosidade do sangue. A combinação de ambos pode levar à formação de coágulos nas artérias e veias, o que interrompe a irrigação do músculo cardíaco e pode levar ao infarto.

'Também cresce a chance de doenças vasculares periféricas como varizes, tromboses e até o AVC, conhecido como derrame. Além de tudo, algumas são sedentárias, obesas e tem uma alimentação inadequada', alerta o médico.

As possibilidades de tratamento do infarto
Como há hospitais que não têm toda a estrutura de cateterismo cardíaco, a possibilidade é que, diagnosticado o infarto, a pessoa possa receber uma medicação na veia que tem uma chance em torno de 70% de desobstruir parcialmente a artéria. 'Essa medicação não desobstrui 100%, mas, se a pessoa tem um bloqueio de 100% no vaso, ela cai para 80, 90%. E isso pode dar tempo para um tratamento mais definitivo que seria a desobstrução total do vaso', analisa o cardiologista.

Mas se ela chega a um hospital que tem cateterismo cardíaco, o ideal é se submeter a um cateterismo dentro de uma hora ou uma hora meia. Através de um cateter é visto onde está entupido e, uma vez diagnosticado o local do entupimento, é possível se fazer uma dilatação dessa artéria colocando uma molinha no local chamada stent. Assim, a chance de desentupir é maior do que 90%. 'A pessoa tratada com a eficiência e rapidez necessárias tem 95% de chances de viver bem. Esses 5% representam o risco de morte, mas há 30 anos atrás esse risco beirava os 50%', explica Hélio.

Paciente pode ter uma vida normal após o tratamento
'Falei isso para um paciente recentemente. Ele perguntou 'e agora, eu posso levar a vida como antes?' e eu disse 'como antes não, você tem que levar melhor'. De um modo geral, se o tratamento foi adequado, as pessoas voltam à rotina normal de trabalho, de lazer, da atividade sexual, etc, num período de duas semanas. Ela vai ter que passar em consulta com cardiologista o resto da vida, mas não para dependência e sim para fazer o controle', ressalta o médico cardiologista Hélio Castello Junior.

Como ajudar alguém que apresente os sintomas do infarto?

Foto: Thinkstock
Enquanto a ajuda médica não vem, é preciso agir e o mais indicado é tranquilizar e aquecer a vítima. Salvo orientações médicas, não dê nada de comer ou beber. Desde que a pessoa não apresente dificuldades para engolir e não seja alérgica, dê um comprimido de aspirina que ajuda a prevenir coágulos sanguíneos. Se ela desmaiar, verifique sua respiração e seu pulso.

Na ausência desses sinais vitais, comece imediatamente os procedimentos de recuperação cardiopulmonar se souber ou chame o serviço de emergências. Mas se a vítima for você, procure tossir com força, profunda e prolongadamente várias vezes. Não se esqueça de inspirar antes tossir. Procure ajuda para rápido transporte a um hospital e não vá dirigindo!

Por MADSON MORAES 
http://estilo.br.msn.com/tempodemulher/beleza-e-saude/mais-de-200-mulheres-enfartam-por-dia-no-brasil

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